O Cortiço - Aluísio de Azevedo
AZEVEDO, Aluísio. (O cortiço) - 3 ed. - São Paulo: Ciranda Cultural, 2010- Clássicos da literatura.
O cortiço
O cortiço
O cortiço narra as histórias e o cotidiano dos moradores da Vila São Romão. A labuta do trabalho, os costumes, a cultura, as relações sociais e, em especial os comportamentos singulares dos habitantes de um cortiço diversificado e populosos do Rijo de Janeiro. Esse romance foi publicado em 1890. O autor o conta sob uma visão próxima dos personagens, apesar de o narrador ser onisciente. Este livro de Aluísio está inserido no Naturalismo, visto que, no decorrer da história, eles nos mostra a influência que o indivíduo tem pelo meio em que vive. Um exemplo dessa perspectiva teórica pode ser encontrada no capítulo 3, da página 22, no seguinte trecho: "metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas das mãos". Diante deste excerto, vemos que o método usado pelo autor correlaciona os comportamentos brutos a modos animais. Demonstrando, dessa forma, que o ambiente e a forma de viver, constrói a conduta humana.
O resumo da história pode ser feito na descrição dos personagens, já que não se trata de uma narrativa de uma vida só, mas de muitas, em um mesmo lugar. De início, conhecemos João Romão: homem ganancioso, disposto a fazer qualquer coisa para o enriquecimento. Na sua história, ele passa a ser dono de uma venda em que prestava serviço, pois o dono verdadeiro morre. Pouco tempo depois, ele conhece uma negra quitandeira, chamada Bertoleza. Ela, por sua vez, é escrava de um velho, mas trabalha duramente para conseguir sua liberdade. Sabendo de seu pouco dinheiro guardado e vendo na negra um bom "negócio" para sua ascensão econômica, João Romão forja uma alforria (carta de liberdade) e ganha a confiança da negra que passa a morar com ele e trabalhar, tanto na venda, como com as quitandas. Dessa forma, João Romão expande sua margem de lucro e começa a construir, de casa em casa, a Vila São Romão, que em pouco tempo, fica extremamente populosa. Chega a Vila/Cortiço Jerônimo - homem trabalhador, forte e correto que, logo ao chegar arruma um trabalho na pedreira de João Romão. Jerônimo é casado com Piedade - camponesa simples, interessada nos serviços de casa e nos cuidados à família. Esses dois têm uma filha quase moça, que logo é mandada para um colégio. A decadência dessa família começa quando Jerônimo se encanta por Rita Baiana - negra ativa e sensual -, pois ele abandona a família e chega a matar Firmo - ex-amante de Rita - por causa da mesma. Piedade, por sua vez, desesperasse por não vê perspectiva para sua vida que não seja manter e cuidar do casamento até o fim da vida. Dessa forma, vira alcoólica. A filha de Jerônimo e Piedade é expulsa do colégio por falta de pagamento, fazendo com que ela fique entregue ao próprio destino, no qual, como insinua o autor, será o mesmo de Pombinha. Pombinha é uma moça meiga, inteligente e pura. Desde pequena, sua mãe a direciona ao casamento, pois muito quer subir socialmente e mudar-se do cortiço. Por isso, a mãe lhe arranja um pretendente e assim que a filha "vira mulher", a casa. Porém, Pombinha apesar de morar em outro lugar e ter um casamento pacato e agradável, se vê insatisfeita. Por isso, vira uma prostituta com o companheirismo de Leónie - prostituta profissional. Com o dinheiro que recebe, ela banca sua mãe (que finge não ver nada por desgosto) e também mantém as despesas da filha de Jerônimo. Miranda será na história, o rival de João Romão, visto que os dois são gananciosos e têm inveja entre si. Este primeiro enricou por conta do dote da sua mulher D. Estela - mulher adúltera e vaidosa-. O casamento sem amor e por status, deram-lhes uma filha, na qual João Romão se interessará depois de perceber que não tem herdeiros para sua fortuna. Miranda gosta do contrato, pois casará sua única filha com um homem rico e que lhe deixará grande lucro, visto que João Romão é anos mais velho que a sua filha. O "empecilho", no entanto, é a velha Bertoleza. O dono do Cortiço, apesar de não conter sentimentos por ela, tinha expressões de pena, visto que a mesma ajudou a construir a Vila e trabalhou como uma escrava todos esses anos. Contudo, a cobiça e a vontade própria era maior. Por isso, após tentativas fracassadas de matá-la, João Romão tem a ideia de comunicar ao verdadeiro "dono" da negra o seu paradeiro. Ao descobrir a farsa da alforria e vendo que iria ser escrava para o resto da vida, Bertoleza crava um punhal em seu ventre e se mata, buscando, assim, a liberdade para o seu cansaço físico.
Em resumo total, a inter-relação das histórias demonstra como a miséria e a pobreza leva a degradação do caráter e da vida. Como o meio de convivência, determina um destino para todos.
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